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O que é o Open Finance? Entenda a evolução do Open Banking

O Open Finance é visto como a evolução do Open Banking, justamente por prever a integração de dados além dos bancos, agregando também as instituições financeiras. Entenda esse novo cenário...

O Open Finance é visto como a evolução do Open Banking, justamente por prever a integração de dados além dos bancos, agregando também as instituições financeiras. Entenda esse novo cenário e quais são os próximos passos da implementação pelo Banco Central.


 

A seguir, você vai aprender sobre:

  1. O que é Open Banking?
  2. O que é Open Finance?
  3. Aplicações do Open Finance
    1. Declaração de Imposto de Renda  
    2. Prevenção à fraude com biometria de voz
    3. Ampliação do escopo de biometria comportamental
    4. Evolução do Banking as a Service (BaaS)
    5. Segurança no onboarding e mudanças cadastrais
  4. Conheça também o Open Insurance

Há alguns anos, a Open Data tem ganhado cada vez mais defensores e adeptos. Essa iniciativa defende o compartilhamento de dados entre diferentes setores e ecossistemas como uma medida que beneficiaria todos os envolvidos. No setor de bancos, essa ideia foi chamada de Open Banking.

No Brasil, o Open Banking começou a ser implementado ainda em 2021, e, agora em 2022, o Banco Central (Bacen) anunciou a sua versão atualizada: o Open Finance,  com expansão para todas as instituições financeiras.

A seguir, entenda o que são essas iniciativas, como estão sendo organizadas e como podem ser usadas em casos reais. 

 

O que é Open Banking? 

O Open Banking é uma iniciativa de inovação do sistema financeiro que permite, mediante autorização expressa do usuário, o compartilhamento de dados bancários entre instituições do ecossistema. Também chamado de Sistema Financeiro Aberto, começou a ser implementado em fevereiro de 2021 e a quarta, e última, fase foi iniciada em dezembro do mesmo ano. 

A expectativa do Banco Central (Bacen), responsável pelo Open Banking no país, é de que a transação facilitada de dados entre as instituições possa gerar serviços mais personalizados aos clientes. Com mais dados, fica mais fácil entender o perfil do cliente e oferecer produtos mais adequados. 

Há também a expectativa de que sejam desenvolvidas melhores políticas de crédito, mais inovação e ampliação do desenvolvimento financeiro dos usuários. Outra área que será beneficiada com a implementação dessa iniciativa é a de prevenção de fraudes.

Somente instituições autorizadas participam do Open Banking. Para os bancos, a participação era obrigatória, e para outras instituições financeiras, como as fintechs, facultativa. Para usar o Open Banking, é preciso autorizar o compartilhamento de seus dados com as instituições participantes. O usuário pode decidir quais são as características desse compartilhamento, as informações que vão ser enviadas e até o tempo de duração desse processo. 

Confira o passo a passo do compartilhamento de dados, conforme explicado pela Open Banking Brasil

  1. Consentimento: Momento onde o usuário quer compartilhar seus dados. Nessa hora, ele decide o escopo da autorização e o prazo; 
  2. Redirecionamento: O cliente será levado para o ambiente da instituição proprietária dos dados para realizar a etapa 3; 
  3. Autenticação: O cliente realiza o login da forma como já está habituado; 
  4. Confirmação: Etapa de confirmar o compartilhamento dos dados; 
  5. Redirecionamento: O cliente será levado de volta para o ambiente da instituição que está recebendo os dados;
  6. Efetivação: Confirmação do recebimento das informações. 

Esse processo leva poucos minutos para acontecer, mas proporciona diversos benefícios para os usuários e suas instituições bancárias. 

 

O que é Open Finance?

O Open Finance é uma evolução do Open Banking, pois amplia a iniciativa para além do serviço de bancos, agregando também as instituições financeiras. É, como define o Banco Central, “compartilhamento padronizado de dados e serviços por meio de abertura e integração de sistemas”.  

Essa nova versão abarca também serviços de cartão de crédito, câmbio, investimentos, fintechs, seguros e previdência. O projeto de mudança de nomenclatura do sistema foi lançado pelo Bacen em parceria com o Conselho Monetário Nacional, na Resolução Conjunta nº 4 de 24 de março de 2022. 

A resolução também propõe a definição de Open Finance, seus objetivos, escopo e acrescenta artigos à seção que determina as regras de participação. A escolha na mudança do termo é justificada pelo Bacen pela necessidade de facilitar a compreensão das iniciativas. A instituição já planeja incluir nessa nova definição o Open Insurance, iniciativa de compartilhamento de dados no setor de seguros que já está em fase de implementação. 

O sistema anteriormente chamado de Open Banking, de acordo com essa resolução, passou a se chamar Open Finance. Por isso, o Open Finance não é um novo sistema que passará por um processo de implementação como o Open Banking, mas é uma nova etapa desse mesmo processo.  

Contudo, por abarcar outras instituições, o Open Finance ainda precisa ser estruturado para começar a funcionar. Segundo o Bacen, está prevista para 30 de junho de 2022 a entrega da estrutura de governança da iniciativa — isto é, como ela será organizada, além de responsabilidades e hierarquias. 

 

Aplicação do Open Finance 

Com o acesso a dados e informações centralizadas, o Open Finance poderá ser usado em uma série de atividades para facilitar a experiência do cliente, desde a diminuição de custos das soluções financeiras até a automação da coleta de dados para a declaração de impostos. Há também a aplicação dessas informações para prevenir a ocorrência de fraudes financeiras, seja em bancos ou outras instituições. 

Veja algumas possibilidades de aplicação do Open Finance: 

 

Declaração de Imposto de Renda 

Com um Open Finance estruturado, o contribuinte poderia, ao autorizar o compartilhamento de dados, importar uma lista de dados financeiros que preencheria diversos campos do IR de forma automática. Seria uma integração de rendimentos, investimento, imóveis, dados de veículos e muito mais. 

Atualmente, já temos a declaração pré-preenchida que importa dados da Receita Federal para facilitar o trabalho dos contribuintes. Para que isso aconteça, é preciso também autorizar a importação das informações. 

Contudo, como aponta Richard Domingos, especialista em direito tributário e diretor da Confirp Consultoria Contábil, em entrevista ao InfoMoney, esse formato não está completamente pronto, pois cerca de 50% das informações ainda precisam ser preenchidas. No Open Finance, o que existiria é uma evolução desse modelo, com informações cada vez mais precisas. 

Ao InfoMoney, o Banco Central afirmou, por nota, que essa é uma possibilidade. Nesse caso, para o Bacen, existiria uma API conectando a instituição financeira à Receita Federal. No entanto, alerta que essa é uma tarefa complexa e pode levar algum tempo para ser concluída. 

 

Prevenção à fraude com a biometria de voz

Na autenticação por voz, as ondas sonoras são coletadas e transformadas em uma imagem única chamada espectrograma. Cada pessoa produz um padrão próprio, como uma impressão digital. Na prevenção de fraudes por voz, o padrão do espectrograma pode ser usado para autenticação da identidade de um usuário. 

Portanto, se o banco de Maria usa essa tecnologia no onboarding de uma conta digital, ela salva essa imagem da voz na nuvem da Minds Digital. Depois, quando a Maria for realizar uma transferência financeira pelo aplicativo do banco, a validação por voz vai comparar a voz de entrada com o espectrograma armazenado para a cliente. 

Ali, a biometria de voz vai indicar se a pessoa que está fazendo a transferência é realmente a Maria. Caso seja confirmada, a transação segue normalmente. Em caso negativo, ela é barrada e será preciso seguir os passos indicados pelo banco. 

Em um sistema Open Finance, o usuário pode autorizar que outra instituição use essa forma de identificação em outros aplicativos. Portanto, se você faz esse cadastro biométrico em um banco, pode autorizar que ele seja usado em outros para autenticar a sua identidade e evitar que fraudadores usem as suas credenciais. 

 

Ampliação do escopo de biometria comportamental 

Biometria comportamental é o nome usado pelo mercado para se referir a uma solução que analisa o histórico do cliente para verificar se uma transação pode ser uma tentativa de fraude. Essa é uma medida bastante consolidada no mercado.

Se você já teve uma compra barrada porque o banco considerou aquela atividade suspeita, você pode perceber a biometria comportamental em ação. É comum que isso aconteça com cartões de crédito em viagens, pois você estará fora da cidade que geralmente faz compras, ou com valores bem mais altos que o seu habitual. 

Essa análise pode abarcar coisas ainda mais específicas, como tempo de digitação, uso de ambas as mãos ou horário de acesso. Com a tecnologia de machine learning, os serviços vão sendo aprimorados a cada uso. 

No cenário do Open Finance, bancos e instituições financeiras poderão compartilhar os padrões comportamentais das transações dos usuários que autorizarem. Nesse caso, o histórico do cliente seria ainda maior, pois estaria unindo dados de diferentes fontes, proporcionando uma biometria de comportamento ainda mais precisa. 

 

Evolução do Banking as a Service (BasS) 

O Banking as a Service, ou BaaS, é um tipo de tecnologia que permite que qualquer empresa ofereça serviços financeiros, sem que seja um banco ou uma instituição financeira propriamente dita. Então, o que antes era oferecido apenas por bancos, como cartão de débito, crédito e empréstimos, pode ser feito por empresas de outros setores. 

Essa prática não é nova, e diversas empresas já adotam esse modelo. Basta lembrar das lojas de departamentos que oferecem serviços e descontos para quem utiliza o cartão feito por elas — isso é Banking as a Service. 

Com o Open Finance, o tipo de serviço prestado em empresas que adotam o BaaS poderá ser ainda mais preciso e personalizado. Com a autorização do compartilhamento de dados, é possível entender quais são as preferências dos consumidores e oferecer produtos mais vantajosos para cada perfil. 

 

Mais segurança em onboarding e mudanças cadastrais 

Estão cada vez mais comuns as fraudes usando documentação de terceiros sem que eles saibam. Com essas informações, por exemplo, é possível criar contas laranja que serão usadas como receptoras em golpes por Pix. Outro caso comum é a solicitação de cadastro de um novo endereço e, posteriormente, o envio de um novo cartão de crédito, que estará em posse dos criminosos. 

Inclusive, recentemente o Banco Central afirmou que quer começar a responsabilizar os bancos pela abertura de contas laranja e seu uso em fraudes pelo Pix. Para evitar que esse tipo de fraude aconteça, existem outras soluções que vão além de unicamente confirmar informações pessoais. A biometria de voz, por exemplo, pode auxiliar nos dois casos, ao confirmar a identidade pela voz. 

Em um cenário de Open Finance, os bancos também podem compartilhar entre si informações sobre os usuários e aumentar as chances de detecção de fraudes com documentos e dados pessoais vazados. No caso da alteração de endereço, é possível checar se o cliente também solicitou a mudança em outra instituição. 

 

Conheça também o Open Insurance

O Open Banking faz parte da Agenda BC#, um projeto do Banco Central para promover a democratização financeira no Brasil. Esse projeto começou em 2017, com a Agenda BC+, e segue propondo soluções inovadoras. O lançamento do pagamento instantâneo, o Pix, também faz parte dessas iniciativas. 

As soluções tecnológicas já se tornaram centrais na vida da maioria das pessoas. A facilidade que ela proporciona não poderia passar despercebida aos setores financeiros. Por esse motivo é que iniciativas como o Open Banking e Open Finance têm chamado bastante atenção.  

No mesmo sentido, o setor de seguros também busca inovar com o Open Insurance. Saiba mais sobre essa iniciativa e como ela pode auxiliar as seguradoras a transformar esse setor: 

O que é Open Insurance e a prevenção a fraudes de seguro 

 

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